Por Liz Bourgault, Sarah Ruiz e Shaadee Ahmadnia


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Na manhã de 3 de agosto, o chefe da polícia do estado do Amapá, Leonardo Brito, e sua equipe de campo partiram para uma área remota da Amazônia em busca de desmatamento. Eles seguiam as orientações de um membro da equipe que havia ficado na base, verificando uma área suspeita usando os mapas do Global Forest Watch.

Quando a equipe chegou, era nítido que as imagens por satélite haviam identificado corretamente a clareira florestal. Além de árvores arrancadas, o rio nas proximidades tinha sofrido um desvio de seu curso natural e havia pilhas de madeira queimada alinhadas nas margens do rio: prova de que o local estava sendo usado para a produção ilegal de carvão.  Geralmente, quando locais assim são descobertos, o culpado já está bem longe, mas nesse dia Brito e sua equipe haviam chegado bem na hora.

police car in front of deforested landA equipe de Brito chegou ao local para encontrar terras desmatadas que foram queimadas para uso na agricultura.

Pesquisar opções quando não se pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo

Há muito tempo que a Amazônia brasileira tinha sido uma linha de frente na batalha contra o desmatamento tropical. Com o aumento anual da perda de cobertura arbórea, defensores florestais como Brito tiverem que adaptar seus métodos para detectá-la e evitá-la.

Brito e sua equipe de 12 membros patrulham uma área florestal de 142,815 quilômetros quadrados no Amapá, uma área equivalente ao tamanho do Nepal. Com recursos e capacidade limitados, a equipe só poderia investigar desmatamento em volta da margem da floresta ou reclamações dos membros da comunidade sobre desacordos sobre a terra. Era impossível monitorar o desmatamento ilegal escondido no coração da floresta. Brito e sua equipe não conseguiam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

Isso inspirou Brito a procurar um jeito melhor de monitorar florestas. Uma rápida pesquisa no Google o ajudou a encontrar diversas opções de imagens de satélite, mas a maioria dos serviços não atualizava as imagens com frequência.

“Quando as imagens são de três meses atrás ou mais, até chegarmos ao local não encontraremos ninguém, os [desmatadores] já estarão em outro lugar”, Brito disse.

Então, Brito continuou pesquisando até encontrar o Forest Watcher, um aplicativo móvel da GFW desenvolvido especificamente para uso off-line e no campo.

“A tecnologia e o aplicativo [são] muito bem explicados e é muito fácil navegar”, Brito disse.

Aproveitar ao máximo os recursos limitados

Agora, Brito e sua equipe estão usando constantemente alertas GLAD da GFW no Forest Watcher para descobrir casos de desmatamento ilegal no campo quase em tempo real.

drone shotVista de floresta desmatada do drone da equipe do Amapá.

Mesmo que a GFW e o Forest Watcher forneçam as ferramentas para essas investigações, os usuários precisam determinar quais áreas serão priorizadas. Eles usam um drone para ajudar a localizar e explorar as trilhas mais remotas, mas o departamento só tem um, e sua bateria dura apenas 20 minutos, por isso a priorização é essencial.

Assim, eles trabalham com comunidades próximas para diminuir as alertas que decidem acompanhar. Isso evita a perda de tempo e recursos preciosos investigando distúrbios naturais ou planejados.

Mudar o foco para a proteção florestal

Brito mudou para trabalhar em crimes ambientais recentemente, uma área de investigação que ele diz  é muito necessária, mas não recebe atenção suficiente. No passado, a maioria do trabalho feito para combater o desmatamento se concentrava na terra ou nos direitos da propriedade.

“A polícia dá muita importância a outros tipos de crime”, Brito disse. “Como roubo de telefones e propriedade em geral, mas essas coisas são substituíveis. Você pode substituir a televisão. Você pode substituir o celular. Mas não há como substituir uma [árvore]. Para uma árvore chegar ao nível que [você] vê hoje leva de 20 a 30 anos”.

Além disso, o trabalho de Brito com o Forest Watcher conseguiu ajudar a direcionar os esforços da polícia à luta contra o desmatamento.

“Antes do Global Forest Watch, havia apenas uma ilusão de combater esse desmatamento”, Brito disse. “De modo efetivo, apenas começamos a combater o desmatamento depois do Global Forest Watch. Ele é a ferramenta principal de [nossa] estação policial”.

charcoalFornos e madeira carbonizada – evidência de produção ilegal de carvão.

A adição dos alertas quase em tempo real teve um impacto real no trabalho de Brito. Na manhã de 3 de agosto, Brito conseguiu prender um homem devido à sua atividade ilegal, e durante outra operação em Ariri, sete outras pessoas foram presas, além de “empresários” (operadores de empresas que gerenciavam o esquema de desmatamento ilegal). As investigações continuam e seu envolvimento direto com empresas cresceu como eles perceberam a imensidão das redes envolvidas.

Agora, Brito está promovendo ativamente o uso do Forest Watcher e ferramentas da GFW a outros policiais e membros da comunidade. Embora convencer os outros a incorporar a tecnologia tenha sido um processo lento, ele espera que mais e mais pessoas a adotem como uma forma de proteger suas florestas.

“É mais difícil mudar a mentalidade das pessoas, temos que combater o desmatamento com novos dispositivos, tecnologias, informações, além de buscar coisas novas e sempre evoluir”.


FOTO DA BANDEIRA: Madeira carbonizada encontrada no acampamento florestal desmatado pela polícia ambiental do Amapá. Todas as fotos por Leonardo Brito